Apenas 13% dos corredores de ônibus foram entregues pela Prefeitura de São Paulo

domingo, 24 de maio de 2015

Faltando um ano e sete meses para o fim do seu mandato, o prefeito Fernando Haddad (PT) entregou até agora apenas 20 quilômetros de corredores de ônibus. Isso equivale a apenas  13% dos 150 quilômetros prometidos no Plano de Metas do petista, documento balizador do cumprimento do que foi dito na campanha eleitoral em 2012. 

Quando são analisados somente os  dados dos corredores em construção, os números também apontam que a gestão municipal caminha a passos largos para não cumprir o prometido. Segundo a SPObras (empresa responsável pelas obras municipais), somente 60 quilômetros estão encaminhados, ou seja, 40% do total dos 150 quilômetros previstos. Setenta quilômetros de corredores sequer começaram.

Somados os espaços exclusivos para os coletivos  entregues com os em construção, a Prefeitura ainda precisa tirar do papel quase metade (47%) dos equipamentos prometidos. 

Para agravar o quadro, dos quatro equipamentos já entregues, nenhum está totalmente pronto. O que chega mais próximo disso é o Corredor da Inajar de Souza, na Freguesia do Ó, Zona Norte, com 85,6% das obras concluídas. 

O corredor M’Boi Mirim, Zona Sul, por exemplo, tem apenas 40% do seu projeto finalizado. O binário de Santo Amaro, na mesma região, 30%.

Boa parte deles vai receber verbas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento Mobilidade), do governo federal. São cerca de R$ 6 bilhões previstos. Questionada sobre eventual atraso dos recursos, a Prefeitura optou pelo silêncio. O governo federal discute um corte no Orçamento que pode superar R$ 70 bilhões.

Além da escassez de caixa, a Prefeitura enfrentou contestações do TCM (Tribunal de Contas do Município),  que obrigaram Haddad a republicar edital de preços de cinco dos dez lotes sob competência da SPTrans (empresa que gerencia o transporte público municipal).

Segundo  o consultor em engenharia de transporte Horácio Figueira, uma das medidas emergenciais para driblar  o atraso é a Prefeitura implantar provisoriamente faixas de ônibus à  esquerda das vias, onde são projetados os corredores. 

“É melhor optar, de maneira provisória, pelas faixas de ônibus porque são mais baratas.”

Prefeitura revisa  projeto das obras   

A Prefeitura está revendo os projetos dos corredores de ônibus devido ao grande número de desapropriações envolvidas, “que dificultam e encarecem qualquer obra”, segundo a SPObras. “Considerando todos os corredores, terminais  acesso aos terminais, haveria a necessidade de desapropriar mais de cinco mil imóveis. Porém, esse número está sendo revisto”, informou o órgão.  

5 mil desapropriações era a previsão inicial da administração

Valor da desapropriação causa  medo em dono

Em julho de 2014, o DIÁRIO mostrou que os valores das desapropriações para a construção dos corredores causavam medo nos donos dos imóveis que temem que o preço estipulado pela Justiça seja aquém do de mercado.

NÚMEROS DO ATRASO

4 corredores foram entregues incompletos

R$ 6 bi é o que o PAC deve injetar nas obras

150 quilômetros até 2016 é o prometido por Haddad

20 quilômetros até agora estão totalmente prontos

60 quilômetros estão em construção na cidade

Em dez meses, apenas dois equipamentos foram iniciados

De julho de 2014 até agora, de acordo com a SPObras, foram iniciados somente os corredores Radial Leste 1, com previsão de 12 quilômetros de extensão, e o Leste Itaquera, com previsão de 14 quilômetros.  Ambos percorrem a Zona Leste da capital.

“(As obras) Estavam em ritmo reduzido em função dos ajustes econômicos do início do ano”, admite a empresa municipal sobre a falta de funcionários nos canteiros de obras. “As obras estarão retomando o ritmo normal a partir da próxima semana”, completa a resposta. 

Ao menos dez endereços de corredores ainda continuam só nos discursos do prefeito Fernando Haddad. Entre eles está o da Avenida Celso Garcia, também na Zona Leste, com 26,5 quilômetros de extensão. Outro corredor que aguarda o início das obras é o da Avenida Aricanduva,  na mesma região. O projeto prevê 14 quilômetros de extensão. A SPObras  garantiu que os corredores M’Boi Mirim, Berrini, Binário Santo Amaro e Inajar de Souza serão entregues até o fim do ano.

Por: Eduardo Athayde
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Falta estrutura adequada para ciclistas e consciência dos motoristas

Trafegar com segurança em Manaus é uma tarefa que exige paciência, especialmente dos ciclistas. Com poucas faixas exclusivas para o modal, os amantes das bikes precisam se espremer entre carros de passeios e veículos de grande porte para chegar aos seus destinos.

Três dias após a morte do ciclista Antônio Simão de Lima, 61, que foi atropelado por um ônibus na avenida Djalma Batista, na Chapada, na Zona Centro-Sul, A CRÍTICA foi às ruas para conhecer em quais condições motoristas e ciclistas trafegam nas principais vias da capital.

A regra é clara: de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), as faixas da direita são destinadas aos veículos mais lentos e de maior porte, desde que eles não possuam uma faixa especial, enquanto que as da esquerda são destinadas à ultrapassagem e ao deslocamento dos veículos de maior velocidade. O CTB também prevê que quando um veículo motorizado disputa o espaço com uma bicicleta, o motorista deve manter um distanciamento lateral de 1,5m do ciclista, para garantir a segurança de ambos na via. Mesmo sabendo das normas de trânsito, motoristas ignoram as regras e criam as próprias leis.

Briga por espaço

A avenida Djalma Batista, por exemplo, possui 18m largura e é divida em três faixas em cada sentido. Cada faixa possui 3m de largura. Num espaço como esse, de acordo com os motoristas, é impossível manter a distância determinada pelo CTB, se um ônibus, por exemplo, possui 2,5m de largura.

“Existe muito desrespeito, o espaço é pequeno, por isso não dá para dois veículos ocuparem a mesma faixa. Além disso, as pessoas não tem educação no trânsito, o que piora a situação”, avalia o vendedor Saraiva da Silva, 48.

Ele contou que pedalou durante 10 anos, mas desistiu porque tinha dificuldades de passar pelas ruas. Hoje, Saraiva é motorista e reconhece que a vida deve ser preservada. “Não tenho problemas em dar a preferência a eles porque pedalei e sei como é. Como não dá para manter a distância, eu troco de faixa”, garantiu ele.

O funcionário público José Augusto Gomes, 39, fez diferente. Ele desistiu do transporte público e adotou a bicicleta como meio transporte. “Há um ano e meio uso de bicicleta para ir para o trabalho. Infelizmente, muitos motoristas não nos respeitam e às vezes nos colocam em risco.

Eu escapei de sofrer vários acidentes porque os motoristas de ônibus são os primeiros a passarem colados na gente. Algumas vezes, me vejo obrigado a andar pela calçada para evitar um acidente”, destacou José que pedala da casa dele, no bairro São Jorge, na Zona Oeste, até o Alvorada, na Zona Centro-Oeste. 

Compartilhar as pistas é necessidade em Manaus

Para o Instituto Municipal de Trânsito (Manaustrans), o maior problema no sistema é a falta de consciência. De acordo com o diretor do Departamento de Controle e Gestão do órgão, Antônio Costa Neto, a largura padrão de cada faixa de rolamento varia entre 2,5m a 3m, justamente para que cada modal ocupe seu espaço. “A faixa é para todos. Assim, se o ciclista está na via, ele também tem que ter seu espaço respeitado”, diz.

Costa Neto explica que a disputa de dois veículos pelo mesmo espaço é incorreta e que o certo é os veículos circularem em fila indiana.

“É necessário acabar com esse espírito de disputa. Uma porta aberta de um ônibus é suficiente para causar um acidente com uma moto ou bicicleta”.

Ainda de acordo com o Manaustrans, a margem de segurança lateral para qualquer veículo é de 1,5m. Ele também reforçou que para ultrapassar um ciclista, o motorista deve trocar de faixa, executar a ultrapassagem e depois sim, pode retornar à faixa da direita.

“As bicicletas circulam na faixa da direita porque a velocidade que elas imprimem é menor em relação aos veículos motorizados. Não precisa disputar pelo espaço”.

Para o cicloativista, Keyce Jhones, o poder público, seja ele municipal ou estadual, não cumpre o papel de priorizar o trânsito dos mais vulneráveis, como pedestres e ciclistas. Para ele, a prioridade ainda tem sido dada mais aos veículos motorizados.

“É fundamental que os gestores tenham em mente que a bicicleta é um meio de transporte. O compartilhamento é perfeitamente possível. Mas como ainda não temos a cultura de respeito ao próximo, em que todos nós somos parte do trânsito, é fundamental a nossa luta por ciclovias, pois elas salvam vidas e são uma questão de segurança”, afirmou.

Por Kelly Melo
Informações: A Crítica

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