Recife: Cartão VEM Infantil começa a ser entregue

quarta-feira, 14 de outubro de 2009


Meninos e meninas com idades até seis anos não precisarão mais sujar as mãos e joelhos ao passar pela catraca nos ônibus. A cena constrangedora, agora, só deverá acontecer caso os pais ou responsáveis não providenciem o Vale Eletrônico Metropolitano, o VEM Infantil, que garante a gratuidade nos transportes coletivos de 14 municípios da RMR. O Grande Recife Consórcio de Transportes iniciou, oficialmente, ontem, a entrega dos documentos. A criação do VEM Infantil deu-se a partir da intenção de acabar com a necessidade das crianças terem que se rastejar e até mesmo pular a borboleta, situações que estão na contramão dos direitos humanos. Os 16 mil cadastrados começaram a receber o cartão em casa desde a última sexta-feira.
A cena que era rotina na vida de Camilly Fernandes de Messias, de cinco anos, finalmente chegou ao fim. Ontem, ela recebeu das mãos do secretário das Cidades, Humberto Costa, o VEM Infantil. Com o documento, o validador autoriza a entrada dos garotos nos ônibus, girando a catraca como qualquer pessoa. Alegria para Rosalina Fernandes da Silva, de 32 anos, mãe de Camilly. “Vai ser ótimo para a gente. Todas as vezes que saíamos de casa ela (Camilly) ficava toda suja assim que entrava no coletivo”, contou.
Quem também recebeu o cartão foi Amanda Vitória Lopes Pereira, de quatro anos, dessa vez pelas mãos do presidente do Grande Recife, Dilson Peixoto. Apesar da idade, tem consciência de que a modernização do acesso ao transporte será favorável. “Nunca mais vou ter que passar por baixo da catraca”, disse a menina. As duas crianças têm um motivo comum para terem sido escolhidas para o lançamento oficial do VEM Infantil. Elas são moradoras do bairro do UR-2 e, de acordo com o presidente do Grande Recife, essa foi uma forma de parabenizar as lideranças da comunidade. “A comunidade cuida dos ônibus que fazem itinerário pela localidade”.
O cadastro para esse e qualquer tipo de VEM é permanente, ou seja, não existe prazo para solicitação do documento para os usuários do Transporte Público de Passageiros da RMR (STPP/RMR). No caso do VEM Infantil é necessário que o pai ou responsável leve a Certidão de Nascimento da criança, Carteira de Identidade ou Profissional dos pais ou responsável, comprovante de residência e uma foto 3x4 da criança com fundo branco. Para todos os documentos é necessário levar original e cópia. Não é necessária a presença da criança durante o processo de cadastramento que acontece na Gerência Comercial do Grande Recife, que fica na avenida Agamenon Magalhães, no Derby, de 8h às 16h.
A idade limite para adquirir o VEM Infantil é de até seis anos porque posteriormente a essa idade, o jovem já pode se enquadrar no grupo de estudante que tem direito ao abatimento de 50% do valor da tarifa. Após a etapa de adaptação ao VEM Infantil o Grande Recife dará início ao cadastramento do VEM Idoso, que vai garantir benefício aos maiores de 60 anos, que também tem direito a gratuidade nos transportes coletivos. Em seguida será a vez do VEM para os deficientes físicos, que atualmente se beneficiam com as Carteiras de Livre Acesso. Por último será confeccionado o VEM Comum, que será uma espécie de cartão do tipo pré-pago, em que o usuário compra a quantidade de passagens necessárias previamente.
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Quanto menos passageiros, mais caro fica a tarifa

O Sistema de Informações da Mobilidade Urbana da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) fez as contas e concluiu que quem se desloca de automóvel em Goiânia gasta mais que o dobro de quem utiliza o transporte público. As viagens de moto também ficam mais caras, em média 40%, considerando não só o desembolso individual, mas custos com acidentes e poluição, entre outros.
No entanto, deficiências históricas do sistema de transporte coletivo levam usuários a migrar para o transporte individual, uma saída que distribui entre todos os usuários das vias os impactos decorrentes da quantidade cada vez maior de veículos na rua.
“Esta é uma equação perversa. Quanto menos passageiros, mais caro fica a tarifa”, acentua o engenheiro civil Arlindo Fernandes, da empresa paulista Oficina Consultores, especialista em estudos de trânsito e transportes. O engenheiro foi o responsável por dois importantes levantamentos do setor em Goiânia, o Plano Setorial de Transportes Coletivos da Região Metropolitana de Goiânia e o Estudo do Desenvolvimento da Circulação dos Ônibus nos Principais Corredores Viários.
O primeiro constatou, em 2006, a debandada de passageiros do transporte coletivo urbano. Segundo o estudo, em duas décadas o transporte público perdeu quase 25% das viagens para outros meios de transporte, como carro e moto.
Na década de 1980, 54% da população utilizava o transporte coletivo, passando para cerca de 40% no ano de publicação do estudo. Nos próximos dez anos, mantida a elevada taxa de motorização da cidade (uma das maiores do País), os usuários de ônibus serão pouco mais de um terço da população, estima o levantamento.
As estatísticas que consideram o aumento da frota de veículos por tipo, em Goiânia, mostram como isso vem ocorrendo de forma acelerada. O aumento da frota de motocicletas desde 1996 chega a 220% na capital. A de automóveis avançou menos de 70%. A frota de ônibus só cresceu 48,48%. “Há grandes incentivos no Brasil para quem quer se deslocar em transporte individual, enquanto que o transporte coletivo, não”,diz Fernandes.
Não há qualquer aporte financeiro, por exemplo, para cobrir as gratuidades no sistema, uma conta paga também pelo usuário, o que onera a tarifa. “Por isso, andar de moto muitas vezes fica mais barato se considerado apenas o desembolso feito pelo condutor. Mas, para a cidade, resta todo o custo social provocado pelos acidentes, congestionamentos e poluição”, enumera.
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No Rio, Corredor exclusivo carioca ligará Barra à Penha em 50 minutos

O T5, corredor exclusivo de ônibus articulados entre a Barra da Tijuca e a Penha, é considerado o mais importante projeto viário da cidade do Rio de Janeiro e essencial para o projeto Rio 2016. O prefeito Eduardo Paes baixou um decreto convocando engenheiros e arquitetos da prefeitura a participar da implementação do T5. O chamado visa montar uma equipe para tratar das desapropriações no entorno dos 28 quilômetros do trajeto.
Principal projeto municipal na área de transportes, o T5 ligará a Barra à Penha em 50 minutos e está sendo coordenado pelo próprio prefeito e por seu braço-direito, Pedro Paulo Carvalho. Procurada para falar sobre o corredor, a Secretaria de Transportes informou que essa tarefa cabe agora à Casa Civil. Orçado em US$ 274 milhões (R$ 516,1 milhões), o BRT (sigla em inglês usada para designar esses corredores expressos e exclusivos) deverá atender a 300 mil passageiros por dia e consta no plano apresentado ao Comitê Olímpico Internacional para a candidatura carioca à sede das Olimpíadas de 2016.
A desapropriação dos terrenos é a primeira etapa para o início das obras, previsto para este ano. O prazo de conclusão é 2014, a tempo para a Copa do Mundo.O T5 sairá da Avenida Ayrton Senna, passando pelos seguintes pontos: Avenida Abelardo Bueno, Estrada Coronel Pedro Correia, Estrada dos Bandeirantes, Largo da Taquara, Avenida Nelson Cardoso, Rua Cândido Benício, Rua Domingos Lopes, Rua Quaxima, Avenida Prefeito Negrão de Lima, Avenida Ministro Edgar Romero, Largo de Vaz Lobo, Avenida Vicente de Carvalho e Avenida Brás de Pina. No papel, o T5 deverá se integrar a dois futuros corredores de ônibus: o da Ligação C (Jacarepaguá-Deodoro, com 15 quilômetros) e o que ligará Jacarepaguá ao Leblon concorrendo ou substituindo a Linha 4 do metrô (Gávea-Barra), ao longo de 29 quilômetros.
Estima-se que a Ligação C, também prioritária, custe US$ 483 milhões (R$ 909,8 milhões). O outro BRT sairia por US$ 477 milhões (R$ 898,5 milhões). Junto com o T5, serviriam a quase um milhão de pessoas por dia. A conexão entre o T5 e a Ligação C aconteceria na Avenida Salvador Allende, próximo ao Rio Centro. Já a integração com o BRT para a Zona Sul seria feita no Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca. Ambos partiriam da Avenida Salvador Allende e seriam construídos entre 2010 e 2013.
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Goiânia recebe prazo de 06 Meses para implantar corredores exclusivos

A priorização do transporte coletivo no sistema viário depende de uma série de intervenções. Muitas delas compõem o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado mês passado entre a Prefeitura de Goiânia e o Ministério Público estadual. Pelo documento, o Município tem seis meses para cumprir as tarefas assumidas.
Marcos Massad, presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) explica que as primeiras ações objetivam a implantação de corredores preferenciais à circulação dos ônibus nas Avenidas T-7, T-9, 85 e 24 de Outubro. Na sequência, serão eliminadas as conversões à esquerda nessas vias e proibido o estacionamento de veículos ao longo do meio-fio. As mudanças estão orçadas em R$ 2 milhões.
O recurso, afirma Massad, já está disponível. O investimento será dividido entre a CMTC e a Agência Municipal de Trânsito (AMT). “Já fizemos reunião demais. Agora, as medidas precisam ser adotadas logo”, admite o presidente da CMTC. Ao longo de toda a extensão dos eixos preferenciais de transporte, salienta, não será permitido estacionar na via. “As ruas vizinhas a esses eixos ficam vazias. O motorista precisa criar o hábito de estacionar o carro nesses locais.”
Os corredores que receberão as primeiras intervenções, segundo Massad, abrigam, em média, 80% das linhas do transporte coletivo. Segundo o presidente da CMTC, as maiores reclamações dos usuários do transporte têm relação com a desorganização dos terminais de ônibus e a demora no deslocamento. “A implantação dos corredores preferenciais e do cartão de integração atacará as duas deficiências apontadas pelos usuários como as mais sérias.”
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Mobilidade urbana é discutida em reunião do Conselho das Cidades

A mobilidade urbana no país começou a ser debatida, hoje (13), durante a 22ª Reunião do Conselho das Cidades (ConCidades), que se realiza em Brasília. "Queremos analisar a forma como vem sendo aplicadas as políticas de mobilidade nas cidades brasileiras, principalmente em relação ao transporte", diz o coordenador da secretaria executiva do Conselho das Cidades, Elcione Macedo.
Também estão participando do evento, que servirá para debater a conjuntura da mobilidade urbana no Brasil, o subsecretário de Transportes do Rio de Janeiro e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rômulo Orrico Filho, e o professor Anísio Brasileiro, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
De acordo com Elcione Macedo, o país começa a produzir relatórios referentes à mobilidade social como forma de medir resultados capazes de avaliar os impactos do crescimento populacional e, principalmente, preparar o Brasil para eventos de grande relevância, como, por exemplo, a Copa do Mundo de 2014, em 12 cidades, e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.
Rômulo Orrico apresentou um mapa da crise da mobilidade urbana. Disse que um dos principais elementos que contribuíram para o quadro é a mudança no perfil social, já que, antigamente a população fazia apenas o trajeto de casa para o trabalho e vice-versa. "A tecnologia e as novas rotinas fizeram a sociedade se tornar mais dinâmica e com isso novos trajetos são realizados diariamente", argumenta.
O subsecretário de Transportes do RJ definiu sinteticamente o conceito de mobilidade urbana. "É como uma família que organiza seus segmentos para se desenvolver." Desde a revolução industrial, acrescentou, as cidades apresentam evoluções e com isso há dispersões no local de trabalho, o que propicia o surgimento de novas paisagens urbanas. "Nesse sentido, é preciso pensar no transporte público como meio capaz de oferecer ao usuário a possibilidade de realizar seus trajetos de maneira satisfatória."
Rômulo Orrinco apresenta um dado importante: "Atualmente, o transporte público é responsável por 60% a 80% das viagens nas cidades brasileiras". Ele encerrou sua palestra fazendo uma síntese da realidade do transporte público brasileiro: "É preciso incorporar uma relação intrínseca que ajude a melhorar a cidade, pensando na estrutura de casas, escolas e hospitais." O evento vai até quinta-feira (15).
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