Salvador: Motoristas de ônibus se queixam de pressão e estresse

terça-feira, 7 de abril de 2009


São 18 anos de profissão e muita correria. Todos os dias, faça chuva ou faça sol, o motorista de ônibus Antônio Lins, 50, enfrenta os entraves das ruas da cidade para cumprir o itinerário da linha Valéria R-2. Às 4h18, ele assina o ponto de chegada na Estação Pirajá e, às 4h21, já está de saída, como mostra o Relatório Operacional Veicular (ROV) da empresa onde trabalha. Durante a manhã, a cada retorno para o terminal, os intervalos de descanso variam de 5 a 17 minutos. “Nossos horários são muito apertados. Os primeiros da manhã são só bate-e-volta”, conta. A pressão que Lins vive na prática é a mesma que a psicóloga, perita do trânsito há nove anos, Elzinete Magalhães, confere nos psicotestes que aplica para retirada de habilitação e renovação da carteira de motoristas. “O que eu observo nas entrevistas preliminares é que eles falam muito em cumprir metas. Têm sempre que fazer muitas corridas, chegar no horário. O nível de estresse é muito alto”, alerta a especialista. Pressão psicológica é também o que Elzinete aponta como motivação para o acidente ocorrido em Jardim Armação, envolvendo o ônibus da empresa Dois de Julho, que completa hoje uma semana. Para ela, a obrigação de cumprir metas de roteiros e horários é o que leva ao descontrole no trânsito. Sem se identificar, um motorista entrevistado pela reportagem acabou desabafando: “Quando o sinal fecha, dá vontade de sair levando tudo o que está na frente. Infelizmente, é isso o que a gente sente”. Carta-horária – Uma das maiores queixas entre motoristas é a carta-horária – limite de tempo previsto para cada viagem. Antônio Lins, por exemplo, acaba fazendo hora extra todo dia, por não cumprir: “Nossa carga horária era para ser de sete horas e 20 minutos. Há oito anos, era isso que eu fazia em cinco viagens, mas depois subiu para seis e agora já são sete viagens com uma hora a mais de jornada”. O motorista Josué Santos, 32 anos, oito na atividade, também acha difícil respeitar a carta-horária. Ele tem uma hora e 20 minutos para fazer o trajeto Estação Pirajá-Bonfim, mas nem sempre consegue. “Se o trânsito está livre, dá para fazer. O problema é que nunca está: são 700 mil veículos rodando na cidade e sempre encontramos engarrafamentos”, ele reclama. A pressão se intensifica com as condições precárias nos terminais. Na Estação Pirajá, o banheiro masculino está sem torneira, e mãos e rosto têm de ser lavados do lado de fora. Também não há lugar de repouso e a soneca após o almoço acaba sendo improvisada no próprio interior do ônibus, quando dá tempo. Cansado da rotina estressante, Josué pensa em mudar de ramo e já começou a estudar para concursos públicos, nível técnico. “A maioria dos colegas quer sair do sistema. Só não sai porque é pai de família. Aqui, sofremos humilhações. Eles botam regras difíceis de cumprir. No papel, funciona, mas a prática é outra”, queixa-se.
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Nem trem, nem ônibus, nem carro. Maioria ainda vai é a pé


O morador da Região Metropolitana de São Paulo utiliza mais o próprio carro do que os ônibus, mais os ônibus do que o metrô, mais o metrô do que os trens. Também se desloca cada vez mais em motocicletas, em veículos escolares, em bicicletas. E cada vez menos nos táxis. Mas para o morador do maior conglomerado urbano da América Latina, a julgar pelo número de viagens realizadas num dia, o meio de transporte mais comum continua sendo o mais simples - esse morador ainda anda, e muito, a pé.

Trata-se, porém, de uma tendência de aumento muito inferior à ascensão verificada no número de viagens de ônibus, o transporte coletivo mais utilizado. Em 2007, foram cerca de 9 milhões de deslocamentos diários de ônibus, ante 7,2 milhões de viagens por dia em 1997 - aumento de 25%, três vezes superior ao verificado nas viagens individuais de carro. Isso tudo, considerando aumento de 16% na frota de automóveis.

Ir ao trabalho e voltar é, de fato, a razão maior das viagens - envolve cerca de 17 milhões (44,5%) dos 38,2 milhões de deslocamentos (motorizados ou não) por dia. Educação vem logo atrás, como motivação para 13 milhões de viagens (34% do total). Notam-se, também, algumas surpresas, nos hábitos de deslocamento do morador da região metropolitana: como explicar, por exemplo, que o número de viagens a lazer tenha diminuído nesse espaço de dez anos ou que o número de deslocamentos destinados a compras tenha permanecido no mesmo patamar, com aquecimento da economia e tudo? “Por segurança, ou para não enfrentar congestionamentos, as pessoas podem estar preferindo o lazer doméstico. As casas, hoje, estão realmente mais confortáveis”, afirma Gomide. “Até mesmo para compras pelo serviço eletrônico.”
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Florianópolis: Começa a funcionar o corredor de ônibus no acesso à Ponte Colombo Salles


Depois de 21 dias de testes, começou a funcionar oficialmente nesta quinta-feira a Linha Branca, um corredor exclusivo de ônibus na cabeceira insular da ponte Colombo Salles, em Florianópolis. Com a mudança, os ônibus que saírem do Terminal de Integração do Centro (Ticen) passarão por uma faixa de pista de 150 metros. Os veículos que seguirem pela alça de acesso à ponte a partir do Ticen terão preferência nos primeiros metros da faixa da direita da Colombo Salles. Assim, os motoristas que seguem pela alça a partir da Avenida Paulo Fontes em direção ao Continente ficam impedidos de acessarem o corredor, sinalizado por faixas na pista. A intenção da prefeitura é reduzir em até 15 minutos o tempo gasto pelos ônibus para trafegar pelo trecho no final da tarde, quando o movimento de veículos é intenso. De acordo com o vice-prefeito e secretário de Transportes, João Batista Nunes, os condutores que desobedecerem a sinalização não serão multados no primeiro mês de implantação do corredor. Após este período, quem não respeitar a sinalização horizontal, que delimita o corredor de ônibus na pista sobre a ponte, poderá ser multado. Segundo o vice-prefeito, a infração é considerada leve pelo Código Brasileiro de Trânsito, com perda de três pontos na carteira e multa de aproximadamente R$ 50.
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São Paulo: Distância entre o coletivo e o individual deve crescer mais

A população da Região Metropolitana de São Paulo tem usado cada vez mais os meios de transporte coletivo para se deslocar. Esse resultado da pesquisa “Origem e Destino” mostra o rompimento de uma evolução constante registrada desde 1992, com pico em 2002 para as viagens em transporte individual - mesma data que marcou a inversão, com crescimento do modo de viagens coletivo. Dos 25,2 milhões de viagens motorizadas diárias constatadas em 2007, 13,9 milhões (55,1%) são realizadas de modo coletivo e outros 11,3 milhões (44,9%) por meio de modo individual.
Entre 1997 e 2007, houve evolução de 25,1% na utilização de transporte coletivo - de 10,4 milhões de viagens diárias para 13,9 milhões de viagens/dia -, ante 12,3% de aumento nas viagens motorizadas individuais - 9,9 milhões de viagens/dia em 1997 ante 11,3 milhões viagens/dia em 2007. Já as viagens a pé passaram de 10,6 milhões/dia para 12,6 milhões/dia, diferença de 15,8%.
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Trens e ônibus transportam cada vez mais mulheres

Dados da pesquisa “Origem e Destino” sugerem que, na última década, foi a bordo de trem, metrô e ônibus que as mulheres chegaram às universidades, invadiram o mercado de trabalho e conquistaram cargos de chefia. Esse longo caminho foi percorrido preferencialmente a bordo de transporte coletivo. Nas bolsas das passageiras, o batom fica ao lado do bilhete único. E elas já se deslocam quase tanto quanto os homens.
Os números do estudo revelam que os sexos masculino e feminino se comportaram de maneiras diferentes quanto à mobilidade nos últimos dez anos. No caso das mulheres, entre 1997 e 2007, as viagens em meios de transporte público aumentaram quase dois pontos na escala, enquanto as feitas de carro ou moto diminuíram. Entre os homens, os índices de uso dos dois tipos de locomoção cresceram no mesmo período.

A medição foi feita por um coeficiente que contabiliza o número de viagens realizadas por habitante. As contas ficaram assim: entre eles, o índice de uso de transporte público era 0,6 (viagem/homem) em 1997 e subiu para 0,7 em 2007. Entre as mulheres, o modo coletivo de locomoção subiu de 0,65 (viagem/mulher) para 0,85. Em números absolutos, a diferença fica clara: há dez anos, elas faziam 5.169.628 viagens por dia em transporte coletivo; hoje fazem 7.344.076 por dia, quase o dobro do que faziam há 40 anos (3.989.306). Detalhe: o número de viagens por passageiro/dia, seja homem ou mulher, se manteve na média de dois por dia durante todo esse período.
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São Paulo: Melhoria do sistema passa pelo bilhete único


O governo do Estado aposta na expansão da oferta de transporte coletivo na Região Metropolitana, atrelada à implementação do bilhete único, para melhorar a qualidade do serviço. No dia 22, será realizada uma audiência pública no Instituto de Engenharia para discutir a unificação da arrecadação de tarifas de transportes coletivos na capital. A medida será a primeira fase para a adoção do bilhete único metropolitano.

Uma autoridade metropolitana de transportes foi criada para administrar o passe metropolitano, que agirá nos mesmos moldes dos programas adotados em Paris, Madri e Seul. A previsão da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos é que a primeira etapa do projeto seja implementada em outubro, três meses antes do início da operação das primeiras estações da Linha 4-Amarela do Metrô: Butantã, Faria Lima e Paulista.

O comando do Sistema Único de Arrecadação e a gestão do novo bilhete ficarão a cargo de uma empresa privada, segundo o modelo aprovado pelo Conselho Gestor do Programa de Parcerias Público-Privadas. A proposta é de concessão de 30 anos e investimento de R$ 508,6 milhões. A cada oito anos, a empresa terá de renovar equipamentos e recursos tecnológicos. Em contrapartida, a concessionária receberá, nos três primeiros anos, R$ 17 milhões anuais pelo direito de exploração comercial do serviço, além de um valor fixo até o fim do contrato, por usuário que validar o cartão em ônibus, metrô ou estação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
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